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es preciso desempacotar a poesia de los libros

Setembro 6, 2010

Joan Brossa (1919-1998), «Contes» (1986).

disse Joan Brossa, num poema. 

Mas a poesia nasceu fora do pacote. De boca em boca, vingou – espalhando fagulhas aqui e ali, sem barulho, à beira de tudo, esse pequeno luxo. Depois, bem depois, meteram as duas na papel: uma que é puro mistério – e outra de tinta, espécie particular de retrato, pintura de um rastro pra dentro (*) (e o milagre é o que se forma na tua cabeça – o que implode e então ergue a miniatura de outro mundo). Quem recompõe o corpo é o par de olhos que nos segue, letrinha por letrinha, silêncio por silêncio. 
Daí que Alfredo Fressia, um veterano na FLAP!, aceitou nos contar um pouco sobre esse festival literário que não se cansa de desempacotar a poesia que há em toda parte. Outros também devem comentar a festa. Deixo, mais uma vez, o depoimento do nosso uruguaíssimo, e o endereço virtual de outra contribuição do poeta para o festival, AQUI. E AQUI

(*) sei que li poesia como um rastro para dentro em algum lugar. acho que foi no livro da ana rüsche. seja lá como for, é isso mesmo. ou não. descubra você.
 

******
 
FLAP! 2010
Alfredo Fressia 

 
Com dinheiro ou sem dinheiro, com saraus virtuais ou de corpo presente, com a mesma vontade de existir no outro lado dos festivais, das flips, das letras, dos poemas – ser sempre outra, até de si mesma -, a FLAP volta renovada. Continua a ser o espaço dos poetas e de todos aqueles que se reconhecem na escrita, na leitura, na discussão, criando pontes para as alteridades. 

Neste ano, 2010, a FLAP vem também informatizada e virtual. Um poeta argentino dizia que “a poesia não se vende porque não se vende” (*). Pois é, não se vende, em nenhum sentido, mas, para ficar no sentido comercial do termo, não se vende porque o livro não é uma necessidade para ela. A poesia pode existir em livros, sim, mas também exibe sua boa saúde nas páginas das revistas, nas paredes, na rua, na internet. Tudo é suporte viável para ela, até esse “suporte” chamado memória.
  

A unidade da poesia não está no livro, todos os poetas sabemos disso (Mallarmé também sabia). Nem no papel. A unidade da poesia é o poema – ou até o verso. Por isso, ela aparece nos lugares mais inesperados, como aparecem as flores mais raras, do mal e do bem. E a internet não podia demorar. Não demorou.    

Por isso, neste ano, a FLAP nos convoca para virmos pelos caminhos da Rede, dessa teia de aranha imensa nascida no calor das telas ligadas na poesia. Ou alguém não sabia que a poesia cria redes imprudentes de onde não queremos mais sair? E se não bastasse, as reuniões “de corpo presente” também estão previstas neste ano 2010. Tão imprudentes quanto as virtuais. Pode vir sem medo: a FLAP sempre está no lado B e sempre causa dependência.
(*) Guillermo Boido. “Poemas para escribir en un muro”, 1975.  

 

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