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Rilke e a Bailadora andalusa

Setembro 27, 2010

 nos manda:

Alexandre Bonafim

Rilke e a Bailadora andalusa

No meio da noite, nos braços da embriaguez,
contemplas essa bailadora de ardentes
constelações, de mil gestos como pássaros
apunhalados pelo sol, pela vertigem do vinho.
Esfinge de desertos sedentos de luz,
pergaminho de rubis em vivo magma,
somente tal dádiva pode incendiar-te
na plenitude do teu ser; somente essa terrível
beleza sabe queimar as tuas feridas,
o teu ser anterior ao nascimento,
contemporâneo da eterna morte.
Rútilo em absoluto movimento,
esse rochedo evola-se em cristalina dança,
em vertiginoso frêmito: asa de uma suave
música a incinerar-te na agudeza do êxtase,
na beleza dos desastres. O rosto da bailadora
arde o teu olhar em viva labareda, em círculos
de um fogo concêntrico, infinito vórtice
em incêndios múltiplos. Dessa chama ressuscitas,
nela te inscreves, fazes de tua carne o bailado
das flamas, o frêmito das centelhas.
Desse sol insurges, a ele consagras tua frágil
humanidade, essa invencível muralha, serena
cordilheira. Dessa queimadura fazes a tua sede,
as brasas de latejante existência.
Longamente fitas o estertor dessa face,
desse sorriso a pulsar os relâmpagos…
Também teu rosto torna-se fogo,
cântico, fuga de violinos em fúria,
sopro de sementes em louvor.
Tão intimamente abraças esse vício,
tão completamente respiras a alquimia
dessa febre, que de tuas entranhas
faz-se a fome de um Deus selvagem.

+ do Alexandre

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