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Quando nenhuma tradução falaria a verdade

Outubro 8, 2010

do cartunista guilherme moojen
Estética é política”, disse Allan da Rosa. “A literatura está mais próxima da política, do que o contrário”, disse Lila. Binho, inteligentíssimo, a todo tempo nos surpreendeu com respostas ilustrativas (como no momento em que simplesmente leu um poema).

Sr. Pedro, nada santo, desaguou todas as mágoas. Guarda-chuvas foram arrebentados, roupas ficaram encharcadas, mas a FLAP! não se deixou abater, e, muitíssimo bem recebida, usufruiu da efervescência do Sarau Vila Fundão. Depois que a chuva deu trégua, participamos de um debate caloroso e de altíssimo nível.

Este é um relato pessoal (pois todo relato é pessoal. Do contrário, seria tirano). A afirmação, veja bem, quer puxar controvérsias. Nem sempre pergunta vem com ponto de interrogação no fim.

O que é centro? O que é periferia? Essa não é uma discussão filosófica, é uma discussão, sobretudo, geopolítica. Mas dizer isso está longe de ser o bastante. Às vezes, é melhor olhar entre as palavras – não o que elas dizem, e sim o que elas ocultam. Saber ouvir também é isso. Não supor intenções, não adiantar conceitos. Às vezes, o corpo demonstra o que não foi dito e está ali, ainda mais vivo do que a palavra derramada. Mas sei bem, talvez digam “é preciso se comunicar de modo que todos compreendam a motivação, o propósito, palavra por palavra”. E a resposta é esta: TODA comunicação mostra apenas quem lê.

E quem lê se mostra. Mostra-se participante, interessado em saber do outro, do que se desdobra em estética, em arranjo, em mistério. Cada forma é um universo em miniatura, com leis próprias.

Às vezes, é preciso sentir-se inadequado. A roupa úmida, a sensação de que há uma barreira linguística a transpor, uma série de pré-julgamentos a vencer. É preciso suportar a sensação, expandir esses limites, tão duros.

Quando nenhuma tradução falaria a verdade.

Quão importante é receber o estrangeiro com alegria (estrangeiro no sentido de estranho, diferente – vindo de qualquer parte); reconhecer a excentricidade como algo a ser lido (excentricidade no sentido do que está fora das regiões seguras, confortáveis – o que está fora, enfim, distante do centro do indivíduo, ou do que a Psicanálise chamaria de ego e alguns, de umbigo).

Fernando Ferrari de Souza recebeu a FLAP! de braços abertos, de sorriso aberto. O Sarau Vila Fundão estava cheio de pessoas interessantes e interessadas. Após o debate, ainda estavam ali, prontas para continuar a conversa, cheias de vitalidade.

Algo mexeu muito comigo neste encontro. E não é a primeira vez. Depois de todas as reflexões virtuais, que se iniciam hoje, gostaria de encontrar vocês, aí do outro lado desta tela, lá no Sarau do Binho, dia 11, às 20 horas, na festa de fechamento do festival.

Maiara Gouveia

FLAP de portas abertas

PS: Logo mais, por AQUI, o debate será Onde estamos?

 [ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO]

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